23 de mar de 2015

Opiniões: Noel Gallagher, Father John Misty e Peace


Chasing Yesterday - Noel Gallagher


Eu tenho uma relação muito conturbada com o Noel Gallagher, porque eu não costumo a ouvir a música de artistas que eu acho muito babacas (vide Jack Black), só que Noel é um caso a parte. Apesar dele ser super chato, não posso negar que ele é um excelente letrista e compositor. O pior é ele se achar a última bolacha do pacote ao dizer que carrega o rock sozinho, mas enfim, o cara tem um pouco de crédito. O segundo disco do seu projeto solo, o Chasing Yesterday, é exatamente aquilo que os fãs esperavam desde o seu primeiro disco: um álbum de rock que remetesse ao trabalho do Noel no Oasis. O novo disco está repleto de riffs de guitarra que lembram muito a época de ouro do Oasis e que refletem a própria personalidade do Noel Gallagher. Eu gostei do disco, apesar de ter achado um pouco retrógrado, pois o último álbum do estava seguindo um curso totalmente diferente, inusitado e que eu tinha gostado muito, por isso esperava uma retomada. Porém, o Noel decidiu voltar às suas origens e produzir um álbum mais a sua cara.

Ouça: Riverman, Ballad Of The Mighty I e In The Heat Of The Moment
Nota: 7,9

I Love You, Honeybear - Father John Misty


Father John Misty é o pseudônimo de Josh Tillman, um americano romântico e sarcástico. Ele está em seu segundo disco, e já podemos dizer que esse está concorrendo a um dos melhores discos do ano. Josh está em seu ápice nesse disco, conseguiu construiu um álbum conciso, que possui uma personalidade própria igual ao cantor. Há uma sensibilidade tocante em cada música, como a balada homônima que abre o disco. A aura romântica é a que prevalece na maioria das canções, mas há também algumas faixas que fogem desse padrão, como por exemplo a ironica Bored In The USA, que faz referência a música Born In The USA do Bruce Springsteen. Apesar de algumas escorregadas, como a tentativa de soar mais eletrônico na faixa True Affection, o que algumas pessoas consideraram como apenas um movimento ousado, o disco é redondo e muito bom de se ouvir.

Ouça: I Love You Honeybear, Chateau Lobby #4 e The Night Josh Tillman Came To Our Apt.
Nota: 9,6

Happy People - Peace



Peace é uma daquelas bandas que surgem numa onde fulminante e depois enfrentam dificuldades para mantê-la. Eles lançaram seu primeiro disco em 2013, o adorado In Love, e agora lançaram o segundo Happy People, que apesar de manter algumas influências, apresenta alguns novos aspectos. A banda estourou com seu indie pop anos 90, graças ao seminário NME, e ao levante de bandas britânicas com essa mesma sonoridade. Agora, os garotos mantiveram a mesma personalidade pop dançante típica de adolescente só que com influências dos anos 80. O que temos é uma banda tentando se manter ativa e nova para não cair no saco sem fundo dos One Hit Wonder. Eu sou louca pelo primeiro disco da banda, ainda o ouço com muito saudosismo, mas fiquei um pouco decepcionada com esse novo disco e essa nova proposta. Me pareceu forçado demais, apesar de ter gostado de algumas faixas, não me identifiquei tanto como me identifiquei com o In Love. Eu gostei sim do disco, achei inovador, em certos aspectos, principalmente quanto a preocupação da banda em não soar como no primeiro disco, de apresentar coisas novas, e isso é muito importante. Porém, esse disco não há a paixão e o envolvimento que o primeiro disco tinha, então ele é sim um pouco desapontante, mas não deixa de ser um bom álbum.

Ouça: Lost On Me, O You e I'm Girl
Nota: 6,5



15 de mar de 2015

3 filmes: 12 anos de escravidão, A Teoria de Tudo e Boyhood


12 Anos de Escravidão



Acredito que muita gente já tenha assistido esse filme, afinal ele foi indicado ao Oscar do ano passado. E faltou eu comentando sobre o Oscar desse ano né? Eu acompanhei, mas esqueci de comentar aqui no blog. Enfim, já vou chegar no oscar desse ano. Fazia já algum tempo que eu queria assistir 12 anos de escravidão (desde que foi lançado), mas ano passado eu estava numa fase nada cinéfila, então acabou passando. Foi então que me deparei com um dvd do filme aqui em casa e decidi finalmente assistir. Eu quase cai em prantos. Sim, a história é emocionante, agonizante e pior, é verdadeira. O filme narra a saga de um homem negro livre que de repente se vê refém de uma realidade cruel quando foi sequestrado e levado como escravo para o sul dos EUA, quando ainda havia escravidão. Solomon é vendido como escravo e passa de fazenda em fazenda, sempre com o sonho de rever sua família e sofrendo com as humilhações físicas e psicológicas. É tão agonizante vê-lo naquela situação tão depreciativa e pensar que aquilo foi feito com milhares de pessoas, e ainda pensar que foi feito pior, que tantos tiveram um destino violento, ou desesperançoso, ou até fatal. A parte que eu quase chorei foi na verdade no final do filme, quando aparece uma tela preta contando o final da história do Solomon, dizendo como ele superou tudo aquilo e ainda venceu tantas expectativas se tornando uma pessoa excepcional e influente no meio acadêmico. Recomendo muito o filme, caso você ainda não tenha visto, mas prepare o seu coração, estou avisando.



A Teoria de Tudo



Eu sou muito fã do Eddie Redmayne, ator principal do filme, e quando soube que ele faria esse filme sobre o Stephen Hawking (ano passado), fiquei contando os dias ansiosa para assistir. Não aguentei esperar ele chegar nos cinemas aqui no Brasil, já fui logo baixando por links não muito confiaveis porque queria muito ver. Depois de vários perrengues, eu consegui assistir! E quando soube que ele foi indicado a melhor ator fiquei torcendo muito e ainda bem que ele ganhou, se não alguém da academia sairia machucado. Eu realmente achei que ele mereceu, mas li muita gente criticando a indicação, dizendo que sempre "as doenças sempre ganham", mas convenhamos que não é nada fácil interpretar uma figura tão icônica e que possui ELA igual ao Stephen. Enfim, controvérsias a parte, vamos ao filme. Eu particularmente gostei do filme, apesar de ele focar no relacionamento do Stephen com a Jane, assunto que foi criticado por muitos, mas creio que poderíamos colocá-lo como um romance não-convencional, já que se trata de assunto tão delicado. Apesar de todos os obstáculos, Jane se manteve firme ao lado do Stephen, tentando ajudá-lo como podia e se mantendo como um suporte. Não é atoa o ditado "por trás de um grande homem sempre há uma grande mulher" e pelo filme podemos perceber que a presença de Jane foi essencial para fazer Stephen se tornar o grande físico que é considerado até hoje. Achei o filme muito válido para conhecer um pouco mais sobre essa história fascinante, que inclusive me deixou curiosa para ler a biografia. Assista! E repito: prepare o coração.



Boyhood


Outro filme indicado ao Oscar, que apesar das promessas não levou muitos prêmios para casa. Boyhood conta a história de Mason desde a infância até a juventude, focando em seus problemas, como o divorcio dos pais, os romances na adolescência e a escolha da faculdade. O filme ficou reconhecido por ter sido filmado em 12 anos, se tornando uma das produções mais longas da história do cinema. O diretor, Richard Linklater, quis que o filme acompanhasse o crescimento do ator (Ellar Coltrane) e assim parecesse mais fiel ao crescimento do personagem, ponto principal da história. Vou ser sincera, não é um filme muito fácil de se assistir, chega a ser enfadonho em algumas partes por se tratar de 3 horas, tanto que eu não consegui assistir de uma vez só. Assisti a primeira hora e pausei porque não consegui continuar. Até aquele ponto eu achei o filme muito chato, parado e sem propósito a princípio. Um dia antes do oscar eu decidi dar mais uma chance ao filme e terminei. No final eu entendi o propósito do diretor e acabei gostando muito, porque eu me senti contemplada, porque entendi muitas coisas com as quais o personagem passou, os problemas da adolescência, a confusão, a indecisão, divórcio dos pais, faculdade, enfim. Apesar de parecer enfadonho no início, o filme é muito bom, principalmente para quem ainda está nessa fase de amadurecimento, e depois de algum tempo de filme, você acaba se envolvendo com a vida do Mason e compreendendo muita coisa. 


10 de mar de 2015

Especial Lolla: St. Vincent e seus dons na guitarra


O intuito dessa série de posts é mostrar algumas bandas e artistas que merecem atenção dentre tantas atrações legais do Lollapalooza. Dessa vez, eu decidi falar sobre a St. Vincent, que apesar de ser um pouco mais conhecida, eu fiz questão de colocá-la aqui porque eu ainda acho que ela merece mais visibilidade. St. Vincent é o nome artístico da americana Annie Clark que toca guitarra como ninguém. Inclusive, gosto de apontá-la como uma grande guitarrista da cena atual. Ela possui seu próprio jeito de tocar, geralmente produzindo sons "estranhos", incomuns, quase incômodos na sua guitarra. Em uma entrevista para a Noisey, ela disse que começou a tocar com 12 anos e foi na transição do primeiro para o segundo disco que ela começou a tocar do seu jeito peculiar, primeiro ao vivo, depois adaptando aos seus discos. Queria também destacá-la porque ela é uma guitarrista reconhecida e MULHER. Não adiante negar, há muito mais guitarristas homens reconhecidos por sua técnica do que guitarristas mulheres, e há sim, muitas mulheres que detonam nas guitarras e que muitas poucas vezes são lembradas como grandes guitarristas. Enfim, veja a entrevista que eu falei em que ela mostra alguns de seus movimentos favoritos.


Creio que a cantora focará no último disco nesse lollapalooza, por isso recomendo que você ouça o disco homônimo (St. Vincent) lançado em 2014, que foi muito elogiado na época e considerado um dos melhores daquele ano e o melhor disco segundo o NME. Eu já tinha ouvido alguns discos dela, como o Strange Mercy (2011) e o em parceria com o David Byrne, Love This Giant (2012), mas foi com o de 2014 que eu mais me aproximei das suas músicas. É nesse disco que ela mostra toda a sua personalidade e o que a torna única, que é justamente seu jeito e gosto extravagantes. Inclusive, li muita gente comparando-a com o David Bowie em sua fase Ziggy Stardust, já que as músicas do seu novo disco parece serem de outro planeta, tamanha "extravagância".


Além da sua performance ao vivo ser recheada de grandes momentos guitarrísticos (se vocês me dão a liberdade de falar assim), ela está sempre inovando e trazendo outros elementos, como algumas danças ou até mesmo em relação ao seu visual, que recebeu uma repaginada com o novo disco. Ela consegue ser uma artista que mostra muito mais ao vivo do que em um disco, por isso acredito que o show dela nesse festival será notável.


E ai? Você que vai no festival, ficou com vontade de assisti-la ao vivo? E quem não conhecia, gostou?

8 de mar de 2015

Ibeyi e suas origens cubanas


Conheci o duo durante as minhas pesquisas de lançamentos do mês, e vi que esse tal de Ibeyi lançou um disco em fevereiro, então coloquei na minha lista para ouvir depois. Já na primeira audição eu fiquei impressionada. Essas meninas me impressionaram porque há algo de extremamente novo em suas composições. Já falarei sobre isso, antes ouça:


O duo é formado pelas gêmeas Lisa-Kaindé e Naomi Díaz que são francesas, mas tem descendência cubana, pois seu pai era ninguém mais, ninguém menos que Anga Díaz, membro do Buena Vista Social Club. Elas cantam em inglês e em iorubá, que é uma língua africana que se disseminou em Cuba. Dá para perceber bastante influência do pai delas em suas canções, tanto pelas letras, pela língua, quanto em relação aos instrumentos utilizados.


Há uma clara influência do R&B e do Soul, principalmente nos vocais. Elas parecem misturar vários elementos para formar seu próprio "gênero", se é que posso falar assim. Há essa mistura de soul com música africana, uma coisa mais R&B com pop, ou para resumir, é algo bastante experimental. Não é por menos, as meninas são francesas, cubanas, cantam em inglês e em iorubá, ou seja, não tenho nada é que rotulá-las em algum gênero, ouçam e descubram por si próprios. Eu curti muito o primeiro disco delas, o homônimo Ibeyi que acabou de ser lançado. Dá para dançar na balada, dá para fazer uma performance conceitual, dá para cantar lindamente ou simplesmente cantar enquanto lava a louça. Ouçam esse disco! É bem conceitual, street, soul, balada, eletro music, house, o que você preferir, só ouçam.

7 de mar de 2015

Decoração: O minimalismo alemão


Móveis bem trabalhados, aconchegantes e quê de luxo discreto, esse minimalismo moderno e funcional é a cara do povo alemão. Gosto do estilo? Então siga nossas dicas para decorar sua casa de maneira simples e, mas também grandiosa. 


Podemos apostar no que nunca sai de moda, preto, branco, tonalidades que passeiam entre essas duas cores, metais, madeira. Esses elementos são chave para a construção de um ambiente minimalista berlinense. O interessante desse estilo é que ele é bastante unissex, mas se sua intenção é dar um toque feminino utilize cores quentes sobre bases mais sóbrias. 


Móveis modernos e detalhes arrojados também estão presentes nos lares minimalistas. Elementos tecnológicos e design moderno se misturam com materiais clássicos, como a madeira e couro, dando um estilo especial para a casa. 


Para não deixar o visual da casa pesado, aposte em objetos de decoração com cores neutras. Almofadas, candelabros, vasos e pufes não precisam destoar do ambiente. Os quartos seguem a linha de cores sóbrias. Muitas almofadas e algumas estampas geométricas foram usadas para tornar o ambiente menos sisudo, já que um bom quarto tem que transmitir uma sensação aconchegante. Porém, se você é do tipo que não pode viver sem um toque colorido, dê preferência a um tom ou uma cor só. Isso fará com que o ambiente continue simples e elegante.




5 de mar de 2015

Especial Lollapalooza: Boogarins é a banda mais cool desse festival


Se você não conhece o Boogarins eu vou ter que te perguntar "onde você esteve?". Sinceramente, essa banda é a mais ~cool~ do festival. E sabe porque? Eu te dou alguns motivos. Primeiramente, os caras são uma banda psicodélica de Goiânia. Repetindo. Psicodélica de Goiânia. Sim, o berço do rock pesado aqui no Brasil. Quer mais? Os caras lançaram seu primeiro disco, repetindo, primeiro disco, através do selo Other Music Recording e com distribuição pela Fat Possum Records. Não conhece a Fat Possum? Eu te explico: ela já trabalhou com gente como The Black Keys, Dinosaur Jr, Band Of Horses e Iggy Pop. E como eles conseguiram isso? Simplesmente mandando e-mail para umas pessoas. Achou pouco? Acha que eu estou inventando? Não está convencido? Então ouça ai.


Os caras de vinte e poucos anos que começaram como um duo entre dois amigos de escola estão tocando nos circuitos mais importantes da cena indie internacional, inclusive lá fora eles são chamados de Boog Impala. Sabe o que é começar a tocar na sua garagem e alguns meses depois estar no SXSW? No Primavera Sound? Abrir para gente como Temples e Of Montreal? Vir de um país de periferia, ainda mais quando se trata de música!? Eu falo tudo isso porque eu não consigo imaginar como eles conseguiram superar tantas barreiras tão rápido! E eu não os imagino como aquelas bandas de One Hit Wonder, eu realmente sinto orgulho de ter uma banda como essa representando o Brasil nesses circuitos a fora. Eu quero muito acreditar que o segundo disco deles vai ser ainda melhor que o primeiro e que os levará a um patamar muito mais alto. Bom, enfim, chega de babar ovo na banda, está na hora de ouvir e convencer vocês a irem ver o show desses rapazes, se é que eu ainda não os convenci.


Se você curte Tropicália, Mutantes e Tame Impala (ou qualquer variação atual), imagina juntar tudo isso num disco só? Sim, estou falando de A Plantas que Curam, o primeiro disco do Boogarins. Eu curti demais na época que lançou! Inclusive já fiz um post sobre a banda aqui, em que eu falo mais sobre o disco. Agora, imagina o show? Eu quero muito sentir essa energia lisérgica e dançar loucamente. Vamos ver mais um vídeo ao vivo para sentir esse gostinho.

E ai? Quem não perde esse show por nada que é mais sagrado? Eu. Contem-me o que acharam? Já conheciam? Quem vai no festival já estava pensando em assisti-los? 

4 de mar de 2015

Fevereiro foi assim...


Filmes e Séries



Esse mês, como teve o oscar, eu decidi assistir dois que estavam concorrendo a melhor filme. O primeiro foi Boyhood que eu gostei bastante, apesar de longo, e o segundo foi A Teoria de Tudo que eu adorei! Sou suspeita para falar, já que eu amo o Eddie Redmayne, o ator que fez o Stephen Hawking, e fiquei super contente por ele ter ganho o oscar de melhor ator! Achei que ele mereceu muito. Outro que vi foi do oscar do ano passado, 12 anos de escravidão, e posso dizer que foi o melhor filme que vi nesse mês! Ele é realmente muito bom, muito emocionante e muito sensacional. Dei continuação na trilogia de Millenium, porém estou tendo dificuldades em conseguir acompanhar os detalhes. De série eu não assisti muito, apenas poucos episódios das mesmas de sempre, Girls e Game Of Thrones.

Livros



Esse mês não foi muito proveitoso nesse quesito. Eu apenas terminei de ler As Virgens Suicidas, então vocês já podem ler minha resenha aqui. E comecei O Estrangeiro do Albert Camus, mas ainda estou bem no começo.

Música



Esse mês eu tenho ouvido muitas coisas novas, então aguardem vários posts de bandas legais que eu acabei de conhecer! Começando com Marika Hackman, que toca um folk bem legal e por Ibeyi que são duas irmãs de origem franco-cubanas que tem um som genial! Aguardem mais informações. De discos eu tenho ouvido o novo do Father John Misty, o I Love You, Honneybear, que já posso classificá-lo como um dos melhores de fevereiro, o novo do Peace, Happy People e alguns lançamentos de janeiro, como Pond, The Decemberits e Belle and Sebastian, que inclusive eu fiz um post sobre dando uma opinião mais aprofundada sobre esses três discos, leia aqui.


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